Como a Le Biscuit se tornou uma grande varejista
Na Feira de Santana dos anos 1960, o comércio fervilhava nas ruas estreitas e movimentadas. Foi ali, em 1968, que Aristóteles Martins Santana abriu um pequeno armarinho. Nas prateleiras, os produtos principais eram botões, zíperes, linhas e miçangas — artigos simples, mas indispensáveis para o cotidiano das famílias e costureiras da cidade. Nada grandioso: apenas um espaço modesto, mas com a ideia de oferecer variedade acessível para o dia a dia. Esse embrião se tornaria a Le Biscuit.
O Calçadão da Sales Barbosa
Durante décadas, a loja no Calçadão da Sales Barbosa foi um ponto de referência. Quem cresceu em Feira lembra das vitrines coloridas e da sensação de encontrar “de tudo um pouco”. Mas no final da década de 1990, um grande incêndio atingiu essa unidade, abalando a cidade e a própria história da empresa.
A resposta foi rápida: a Le Biscuit passou a funcionar em um prédio próprio de 7 andares, onde além do varejo também operava no atacado. Era uma fase de reconstrução e ousadia, mostrando que a marca não se deixaria abater. Pouco tempo depois, ergueu uma nova loja mais ampla na Avenida Tertuliano Carneiro, a apenas 200 metros do local original, sinalizando modernização e continuidade.
O início de uma nova visão
Esse episódio marcava não apenas a superação de uma tragédia, mas também o início de uma grande mudança de visão. Aristóteles passou a contar com o apoio administrativo de seu filho, Álvaro Constâncio Sant’anna Neto, que trouxe novas ideias e energia para o negócio.
Com essa parceria, a Le Biscuit deu um passo decisivo: surgiram duas novas lojas em Salvador — uma na Lapa e outra na Avenida Mário Leal Ferreira (Bonocô). A partir daí, a empresa ganhou novos contornos, deixando de ser apenas uma referência regional e começando a se projetar como uma rede com ambições maiores.
De Feira para o Brasil
O espírito empreendedor não ficou restrito ao interior baiano. A loja da Bonocô consolidou um novo modelo de loja — mais organizado, com sortimento pensado para compras por impulso e necessidades cotidianas. Esse formato seria replicado em outras cidades e estados, abrindo caminho para a expansão nacional.
Nos anos 2000, a expansão ganhou força. Em 2012, o fundo Vinci Partners entrou como investidor, trazendo capital e governança. A Le Biscuit deixou de ser apenas uma rede regional e começou a se posicionar como varejista nacional.
Variedade que acompanha a vida
O DNA da empresa sempre foi a diversidade de produtos. O que começou com botões, zíperes, linhas e miçangas foi se ampliando: papelaria, brinquedos, artigos de festa, decoração e, a partir de 2013, até celulares e eletroportáteis. Essa diversificação aumentou o ticket médio e manteve a relevância da marca em diferentes momentos da vida das famílias.
Estrutura atual
Hoje, a Le Biscuit é controlada pelo Grupo CVLB e conta com:
141 lojas (136 próprias e 5 franquias).
Presença em 14 estados e 74 municípios.
Aproximadamente 3.500 colaboradores.
Um e-commerce nacional que integra físico e digital.
???? Uma crônica de resiliência
A história da Le Biscuit é também a história de Feira de Santana:
Um armarinho modesto com botões, zíperes, linhas e miçangas.
Um incêndio devastador que não apagou o sonho.
Um prédio de 7 andares que simbolizou reconstrução e ousadia.
Uma nova loja na Avenida Tertuliano Carneiro, que marcou modernização e continuidade.
O apoio de Álvaro Constâncio Sant’anna Neto, que trouxe nova visão e expansão.
Duas novas lojas em Salvador (Lapa e Bonocô), que marcaram o início da projeção nacional.
E, finalmente, uma rede nacional, que leva o espírito popular e acessível da Feira para todo o Brasil.
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